01 · Pó de coco, fibra de coco e chips: três produtos de uma casca.
A casca do coco, o mesocarpo do fruto de Cocos nucifera, é composta por fibras longas e rígidas envolvidas por um material fino e esponjoso. Quando a casca seca é triturada e peneirada, separam-se duas frações: a fibra longa, cerca de 30 % da massa seca, e o pó de coco, cerca de 70 %.[1] O pó é vendido no Brasil como pó de coco, substrato de fibra de coco ou, nos catálogos de exportação, coir pith, coco peat ou cocopeat, quase sempre na forma de blocos prensados de 5 kg (coco peat blocks). Os chips (coco husk chips) são um terceiro produto, obtido de outra forma: a casca inteira é cortada em pedaços de 10 a 20 mm antes de qualquer separação.
Os três têm usos diferentes. O pó de coco retém de 8 a 10 vezes o próprio peso em água, tem porosidade total acima de 94 % e não compacta ao longo do ciclo, o que o torna um substrato para mudas, hortaliças em cultivo protegido e morango em semi-hidroponia.[2] A fibra longa entra em substratos estruturantes para ornamentais, em biomantas e geotêxteis para contenção de taludes, em colchões e em compósitos automotivos. Os chips são usados em orquídeas, mirtilo e camadas de drenagem, e duram de 8 a 10 anos no vaso, contra 1,5 a 2 anos do pó fino.[3]
"O pó da casca de coco seco apresenta porosidade total superior a 94 % e capacidade de retenção de água de 8 a 10 vezes o seu peso seco."EMBRAPA Tabuleiros Costeiros, Comunicado Técnico 226, sobre a casca de coco seco do Nordeste
02 · Produção de coco no Brasil: concentração no Ceará.
O Brasil é o quarto ou quinto maior produtor de coco do mundo e a cultura sustenta mais de 700 mil empregos diretos.[4] A safra nacional de coco-da-baía foi de 2.105.345 toneladas em 2024, em cerca de 187 mil hectares colhidos, segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE.[5] A produção está concentrada no Nordeste e no Pará. O Ceará é o maior estado produtor desde 2020: 588,5 mil toneladas em 2024, alta de 13,4 % sobre 2023 e 28 % do total nacional, à frente da Bahia (cerca de 360 mil t), Sergipe, Pará e Pernambuco.[5]
No nível municipal, Paraipaba, no litoral oeste do Ceará, produziu 155.899 toneladas em 2024 e passou ao segundo lugar nacional, atrás de Petrolândia-PE; o coco responde por cerca de um quinto do PIB do município.[6] É nesse perímetro irrigado, o Curu-Paraipaba, que estão as fazendas de coco seco cuja casca abastece a Carve.

Um detalhe importante para o substrato: no Brasil, ao contrário da Índia e do Sri Lanka, a casca do coco seco não passa por maceração em lagoas de água salobra (o retting). Ela é retirada na descascadeira ou na indústria de copra e fica armazenada a seco, muitas vezes ao ar livre por meses, onde a chuva lava parte dos sais. Isso significa que o pó de coco brasileiro parte de uma condutividade elétrica mais baixa do que o pó asiático cru, e precisa de menos ciclos de lavagem para chegar aos limites exigidos por viveiros e hortaliças.[7]


03 · Quem produz pó de coco e fibra de coco no Brasil.
Apesar da produção de coco, a indústria de beneficiamento da casca é pequena e regional. Os processadores que vendem pó e fibra em escala comercial são poucos, e nenhum publica volume de produção auditado.
| Tipo de fornecedor | Onde | O que oferece | Fonte |
|---|---|---|---|
| Processadores regionais de casca de coco seco | Pará, Bahia, Ceará | Pó (granulado), fibra e, em alguns casos, chips; em geral ligados a uma única fazenda ou indústria de copra; expedem úmido; operam sem estoque e com lista de espera | Entrevistas públicas de produtores, 2026 |
| Carve Biorrefinaria | Paraipaba-CE | Pó fino e fibra de coco de casca de coco seco não macerada; graus Natural, lavado e tamponado; laudo de CE, pH, umidade, densidade e granulometria por lote; exportação pelo Porto do Pecém | carvebio.com.br |
| Pequenos beneficiadores | Litoral do Ceará e outros | Pó e fibra sem classificação nem laudo, vendidos a formuladores maiores | Levantamento de mercado |
Nenhum produtor brasileiro publica volume de produção auditado.
Acima dos processadores estão os formuladores de substrato, concentrados em São Paulo e no Sul, que compram pó e fibra como insumo e vendem misturas prontas. O líder do segmento anunciou uma nova fábrica de R$ 100 a 150 milhões para 2027, com uma linha 100 % coco.[8] Uma parte relevante da demanda desses formuladores é atendida por importação, como mostra a seção 06.
04 · O mercado de substratos: R$ 517 milhões e 750 mil m³.
A ABISOLO, associação da indústria de fertilizantes especiais e substratos, registrou faturamento de R$ 390 milhões em 2023 e R$ 517,2 milhões em 2025 para substratos de plantas, alta de 22,8 % no ano; o valor de 2024, aproximadamente R$ 421 milhões, é derivado dessa taxa de crescimento e não foi publicado como tal. O volume comercializado em 2024 foi de cerca de 750 mil m³.[9] O salto de 2025 foi, segundo a própria associação, um crescimento de preço mais do que de volume, causado pela escassez e pelo encarecimento da turfa e da perlita importadas. Por região, o Sudeste concentra 53,5 % das vendas, o Sul 23,2 % e o Nordeste 12,7 %.
Por uso final, a ABISOLO divide o mercado em partes semelhantes: mudas florestais cerca de 21 %, hortaliças 20 %, frutas 16 %, café, citros e cana 16 %, flores e ornamentais 15 % e fumo 12 %.[9] O coco não é o único material desse mercado, que também usa casca de pinus compostada, turfa importada, vermiculita e perlita, mas é o componente de crescimento mais rápido, porque substitui a turfa nas misturas e porque o cultivo protegido de hortaliças e morango, que usa pó de coco quase puro, cresce mais do que a média.
05 · Demanda por segmento: onde o pó e a fibra são usados.
Não existe uma estatística oficial de consumo de pó e fibra de coco no Brasil. A estimativa abaixo foi construída pela Carve a partir de dados públicos de cada segmento (IBGE, IBÁ, Ibraflor, DNIT, Embrapa) e de coeficientes técnicos de uso de substrato por muda ou por hectare. Deve ser lida como ordem de grandeza.
| Segmento | Produto | Consumo estimado | Dado de referência (fonte) |
|---|---|---|---|
| Mudas de eucalipto e pinus | Pó | ~12.000 t/ano | 7,8 milhões de ha de eucalipto, ~1,5 bilhão de mudas/ano (IBÁ 2024) |
| Fumo (Sul, excluído da análise) | Pó | ~10.500 t/ano | 720 mil t, 310 mil ha, 138 mil famílias (AFUBRA) |
| Morango em semi-hidroponia | Pó tamponado | ~9.500 t/ano | 336 mil t, ~6.500 ha, MG 55 %, ~45 % em substrato (IBGE) |
| Flores e ornamentais | Pó, fibra, chips | ~9.000 t/ano | Mercado de R$ 21,2 bilhões, 8.300 produtores, Holambra 45 % (Ibraflor 2024) |
| Biomantas e geotêxteis | Fibra | ~6.500 t/ano | Norma DNIT 074/2006 exige biomanta de fibra de coco em taludes rodoviários; 1 t ≈ 3.000 m² |
| Tomate em semi-hidroponia | Pó | ~4.500 t/ano | 4,7 milhões de t, 63 mil ha; menos de 2.000 ha em substrato, crescendo >15 %/ano (IBGE) |
| Mudas de café | Pó | ~3.000 t/ano | ~300 milhões de mudas/ano; safra 2025 de 55,7 milhões de sacas |
| Restauração de nativas | Pó | ~2.700 t/ano | PLANAVEG: 12 milhões de ha até 2030, 3,4 milhões feitos; 1.276 viveiros |
| Paisagismo e cobertura | Pó e fibra | ~2.500 t/ano | Estimativa Carve |
| Automotivo e industrial | Fibra | ~1.500 t/ano | Artecola Ecofibra fornece para Fiat, Jeep, Honda e Hyundai; peças 23 % mais leves |
| Orquídeas e especiais | Chips e fibra | ~1.000 t/ano | 7,8 milhões de vasos/ano |
Total endereçável estimado, excluindo o fumo: cerca de 56 mil t/ano, sendo ~38 mil t de pó, ~10 mil t de fibra e ~1 mil t de chips. Estimativa da Carve com base nos dados citados; não é estatística oficial.

Dois segmentos merecem nota. A biomanta rodoviária é a única demanda de fibra de coco imposta por norma: a DNIT 074/2006 especifica mantas de fibra de coco para proteção de taludes, o que cria um consumo industrial de fibra independente do mercado de substratos.[11] E o morango em semi-hidroponia, concentrado no sul de Minas Gerais, é hoje o maior comprador de pó de coco tamponado do país, um produto que nenhum processador brasileiro fabrica e que chega em placas e sacos importados.
06 · Importação e exportação: o Brasil exporta fibra bruta e importa substrato.
Os dados de comércio exterior mostram uma situação pouco intuitiva. O Brasil é o quarto maior exportador mundial da posição NCM 5305 (fibra de coco, em bruto ou trabalhada, mas não fiada), com 5,8 % do comércio mundial em 2024 e US$ 45,6 milhões em 2025, dos quais US$ 33,4 milhões para a China.[12] Quase todo esse volume é fibra bruta, vendida como matéria-prima para cordoaria, colchões e compósitos; a exportação de pó de coco processado é insignificante.
No sentido contrário, o país importou cerca de US$ 5,4 milhões de substrato de coco processado em 2025, 97 % da Índia, na forma de blocos prensados, placas de cultivo e pó tamponado para morango e mirtilo.[12] A maior marca nacional de substrato de coco importou US$ 678 mil entre maio de 2025 e abril de 2026 contra US$ 20 mil exportados.[13]
A explicação está no mercado interno. Diferentemente da Índia e do Sri Lanka, que processam casca para exportar, o Brasil (como o México) tem um mercado doméstico de substratos grande o suficiente para absorver toda a produção de pó dos seus poucos processadores. Viveiros florestais, produtores de morango e tomate, floricultores e a indústria de biomantas compram o que existe, e ainda falta produto: o maior produtor nacional opera com lista de espera e sem estoque, e formuladores de São Paulo e Minas relatam dificuldade em achar fornecedor regular de pó. Sobra, portanto, a fibra bruta, que vai para a China, e faltam os formatos que ninguém fabrica no país: blocos prensados de 5 kg e pó tamponado, que continuam vindo da Índia.[14]

07 · Graus, condutividade elétrica e como comprar pó de coco.
O parâmetro que define o preço e o uso do pó de coco é a condutividade elétrica (CE), medida em mS/cm no extrato 1:5, que indica a quantidade de sais solúveis. A casca de coco seco crua tem CE entre 0,4 e 6,0 mS/cm, dependendo da origem, da idade da casca e da exposição à chuva.[2] A partir daí o mercado trabalha com três graus, que os importadores chamam de natural, washed (lavado) e buffered (tamponado); quem pede low-EC coco peat está pedindo um dos dois últimos:
| Grau | CE (1:5) | Como se obtém | Para quem |
|---|---|---|---|
| Natural (sem lavar) | 0,4 – 6,0 cru; casca de sequeiro envelhecida ≤ ~1,5 | Sem tratamento; a procedência e o tempo de chuva definem o número | Formuladores que corrigem a mistura, paisagismo, culturas tolerantes |
| Lavado | < 1,0; profissional < 0,7 | Dois a cinco ciclos de imersão e drenagem em água doce, conforme o sal inicial | Viveiros, hortaliças, formuladores de linha premium |
| Tamponado (buffered) | < 0,5, até ~0,25 (padrão RHP) | Lavagem seguida de banho com nitrato de cálcio, que desloca o potássio e o sódio adsorvidos | Morango, mirtilo, tomate e pimentão em semi-hidroponia, exportação certificada |
Faixa da casca crua conforme EMBRAPA Comunicado Técnico 226. O padrão RHP é a certificação holandesa de substratos, exigida por parte dos compradores europeus.
Além da CE, o comprador deve pedir umidade (com a base indicada: úmida ou seca, porque a diferença chega a 2,7 pontos percentuais), pH (a casca crua fica entre 4,9 e 6,0), densidade aparente e granulometria (malha de peneira e proporção abaixo de 2 mm). O pó de coco é negociado por volume, em m³ ou sacos de 100 L, e não por tonelada, porque a densidade varia com a umidade e com a finura: um pó fino a 15–20 % de umidade pesa cerca de 90 a 95 kg por m³ solto, mas um pó muito fino ou muito úmido pode passar de 150 kg/m³ no mesmo volume.[15] Comparar cotações em R$/t sem a densidade e a base de umidade produz erros de 30 a 70 %.
O que o importador pergunta
Na exportação, o vocabulário muda: o produto vira coco peat em bloco de 5 kg (5 kg block), a CE é a EC (1:5), a expansão é medida em litros por bloco, e o comprador fala em FOB offer, D/P, phytosanitary certificate, fumigation, grow bags, slabs e RHP. As perguntas abaixo foram feitas, com estas palavras, por um importador turco de blocos de coco peat em 2026; as respostas descrevem a prática geral do mercado.
"How many liters per 5 kg block?" (quantos litros rende um bloco de 5 kg) A expansão é cotada em litros por kg; a faixa de mercado é de 13 a 16 L/kg, de modo que um bloco de 5 kg rende cerca de 65 a 80 litros de pó solto depois de hidratado, e o importador costuma pedir uma foto do bloco expandido num carrinho (trolley).
"Ec level should be less than 0.5" (a CE deve ficar abaixo de 0,5) Uma CE (1:5) abaixo de 0,5 mS/cm é o grau tamponado da tabela acima; blocos lavados costumam ser especificados abaixo de 0,7 ou 1,0, e o método de extração (1:5 em volume) precisa acompanhar o número.
"Could you make a FOB offer to us?" (podem fazer uma oferta FOB) O coco peat é normalmente cotado FOB no porto de embarque, por tonelada ou por contêiner, com o frete e o seguro por conta do comprador, que compara as ofertas pelo custo posto no destino, não pelo preço FOB isolado.
"How would be the payment term?" (qual é a condição de pagamento) As condições usuais para um primeiro embarque são um adiantamento com saldo contra cópia do conhecimento de embarque, ou D/P (documents against payment, cobrança documentária via bancos); a carta de crédito é mais comum em contratos maiores.
"I suppose you can load 22 pallets per container" (imagino que carregam 22 paletes por contêiner) Um contêiner 40' HC leva cerca de 20 a 22 paletes de blocos de 5 kg, algo entre 20 e 26 toneladas líquidas conforme a altura do palete e o limite rodoviário; os paletes precisam de tratamento ISPM-15, o certificado fitossanitário cobre produto e paletes, e alguns países exigem fumigação na chegada.
"We can buy 2 containers per month" (podemos comprar 2 contêineres por mês) Importadores regulares compram numa cadência mensal de um a vários contêineres, e avaliam o fornecedor pela constância de CE, umidade e expansão lote após lote, mais do que por uma amostra isolada.
08 · O Brasil no mercado mundial de coco.
Índia e Sri Lanka fornecem cerca de 90 % da fibra e do pó de coco comercializados no mundo. A Índia exportou 1,34 milhão de toneladas de produtos de coco, no valor de US$ 434 milhões, para 121 países no ano fiscal 2024-25, e o pó de coco respondeu por 60 % desse valor.[16] Pela posição HS 5305 (fibra de coco e outras fibras vegetais, em bruto ou trabalhadas, não fiadas), a UN Comtrade registra como maiores importadores em 2025 os Estados Unidos (82,1 mil t, contra 87,6 mil t em 2024), os Países Baixos (67,4 mil t), a Espanha (40 mil t), o Canadá (32,2 mil t), a Alemanha (cerca de 22 mil t) e a Austrália (18,9 mil t). O Japão aparece com apenas 6,6 mil t porque a maior parte do seu coco peat entra por outras posições tarifárias, e a Coreia do Sul classifica o produto fora da HS 5305, sem número confiável. A posição inclui também sisal e abacá, por isso os valores são tetos para o coco.[17]
A demanda mundial deve crescer. A Universidade de Wageningen projeta que o mercado de substratos passe de 67 milhões de m³ por ano em 2017 para 283 milhões em 2050, com o coco subindo de 11 para 46 milhões de m³, e calcula que o uso de coco precisa crescer 180 % até 2030 para que os substratos europeus atinjam 50 % de matéria-prima renovável.[18] Ao mesmo tempo, a oferta asiática enfrenta monção, coqueirais envelhecidos e, desde 2023, o desvio das rotas Ásia–Europa pelo Cabo da Boa Esperança, que adiciona cerca de 10 a 14 dias por trecho. Em setembro de 2026 a volta ao Canal de Suez é parcial e serviço a serviço: alguns loops da Maersk, Hapag-Lloyd, CMA CGM e MSC retomaram a rota, mas a maioria dos serviços Índia–Europa ainda contorna o Cabo; o trânsito do sul da Índia a Roterdã fica em cerca de 35 a 45 dias pelo Cabo e 22 a 28 dias quando o serviço passa por Suez.[19]

Nesse quadro, o Brasil tem uma posição particular: produz coco em grande volume, não macera a casca em água salgada, tem no Ceará estação seca de junho a dezembro, que coincide com a monção de sudoeste da Índia (junho a setembro) e com a monção de nordeste de Tamil Nadu (outubro a dezembro), e dispõe de um porto, o Pecém, a partir de seis dias de Algeciras e de Nova York, que movimentou 706.509 TEU em 2025, recorde e alta de 27 %.[20] O que falta é capacidade de processamento, e um mercado interno que absorve o pouco que se produz. A versão em inglês desta página, Global Coir Market 2026, detalha o mercado internacional; a página de exportação descreve a especificação e a logística da Carve pelo Pecém.
09 · Perguntas frequentes.
Quem produz pó de coco e fibra de coco no Brasil?
O beneficiamento da casca de coco seco é feito por um número pequeno de processadores regionais no Pará, na Bahia e no Ceará. A Carve Biorrefinaria (Paraipaba-CE) processa casca de coco seco não macerada em pó fino e fibra longa, com laudo por lote, para formuladores de substrato, viveiros e exportação pelo Porto do Pecém. Acima dos processadores estão os formuladores de substrato, que compram pó e fibra como insumo para misturas prontas.
Qual estado brasileiro produz mais coco?
O Ceará, com 588,5 mil toneladas em 2024 (+13,4 %), seguido pela Bahia (cerca de 360 mil t), Sergipe, Pará e Pernambuco, segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE. O Brasil colheu 2.105.345 t de coco-da-baía em 2024. Paraipaba-CE produziu 155.899 toneladas em 2024 e é o segundo maior município produtor do país.
Qual é a diferença entre pó de coco, fibra de coco e chips?
Os três vêm da casca do coco. O pó é a fração fina e esponjosa, cerca de 70 % da massa da casca, usada como substrato. A fibra é a fração longa e rígida, cerca de 30 %, usada em substratos, biomantas, colchões e compósitos. Os chips são pedaços de 10 a 20 mm cortados da casca inteira, usados em orquídeas, mirtilo e drenagem.
Qual é o tamanho do mercado de substratos no Brasil?
Segundo a ABISOLO, R$ 517,2 milhões em 2025 (+22,8 %), contra aproximadamente R$ 421 milhões em 2024 (valor derivado da taxa de crescimento) e R$ 390 milhões em 2023, com cerca de 750 mil m³ comercializados em 2024. O crescimento de 2025 foi puxado por preço, devido à escassez de turfa e perlita importadas. Sobre como o pó de coco se compara à turfa como matéria-prima de substrato, ver Pó de coco ou turfa.
O Brasil importa ou exporta fibra de coco?
As duas coisas. É o quarto maior exportador mundial de fibra de coco bruta (NCM 5305), com US$ 45,6 milhões em 2025, dos quais US$ 33,4 milhões para a China, e importa cerca de US$ 5,4 milhões por ano de substrato de coco processado, 97 % da Índia, porque nenhum produtor nacional fabrica blocos prensados de 5 kg nem pó tamponado.
Como se compra pó de coco: por peso ou por volume?
Por volume, em m³ ou sacos de 100 litros, porque a densidade varia com a umidade e a granulometria. Um pó fino a 15–20 % de umidade pesa cerca de 90 a 95 kg por m³ solto (EMBRAPA). Comparar preços por tonelada sem a densidade e a base de umidade leva a erros de 30 a 70 %.
O pó de coco precisa ser lavado?
Depende do uso. Formuladores que corrigem a mistura e o paisagismo usam pó natural. Viveiros e hortaliças pedem CE abaixo de 1,0 ou 0,7 mS/cm, obtida com lavagem em água doce. Morango, mirtilo e cultivos sensíveis a sal pedem pó tamponado, com CE abaixo de 0,5 e tratamento com cálcio. Em qualquer caso, a CE deve ser medida e informada por lote.
10 · Fontes.
- FAO, Technical Paper 6, coir processing; Embrapa Agroindústria Tropical, Comunicado Técnico 54 e Documentos 52 (composição estrutural da casca, 30/70); Coir Board of India.
- EMBRAPA Tabuleiros Costeiros, Comunicado Técnico 226: caracterização física e química do pó da casca de coco seco (porosidade, retenção de água, CE, pH, Na, K, Cl).
- Romero, A. (2025), webinar sobre substratos de coco, Science Fetti / El Semillero: expansão, durabilidade por granulometria, finos abaixo de 0,5 mm.
- IBGE, coco-da-baía; Câmara dos Deputados, empregos no setor de coco; Embrapa e Banco do Nordeste, ranking dos estados.
- IBGE, Produção Agrícola Municipal 2024, SIDRA tabela 1613 (coco-da-baía, quantidade produzida: Brasil 2.105.345 t; Ceará 588.495 t) — sidra.ibge.gov.br/tabela/1613; via Diário do Nordeste, "Quais são as cidades cearenses campeãs do agro em 2024" —diariodonordeste.verdesmares.com.br; IBGE Explica, coco-da-baía — ibge.gov.br.
- IBGE PAM 2024, SIDRA tabela 1613, ranking municipal (Paraipaba 155.899 t); Diário do Nordeste, "Paraipaba perde o posto de maior produtora de coco do Brasil" —diariodonordeste.verdesmares.com.br.
- Raviv, M., Lieth, J.H. & Bar-Tal, A. (2019), Soilless Culture, 2ª ed., Elsevier, cap. 8 (maceração, sais, lavagem sequencial); Prasad, M. (1997), Acta Horticulturae 450.
- AgFeed, CIMM e imprensa setorial sobre a nova fábrica de substratos anunciada para 2027; catálogos públicos de formuladores de substrato.
- ABISOLO, Anuário 2025/2026 — abisolo.com.br; Revista Cultivar, "Setor de fertilizantes especiais recua em 2025, diz ABISOLO" — revistacultivar.com.br; Forbes Brasil, maio de 2026.
- HortiDaily / FloralDaily (2025), colheita de turfa nórdica; DEFRA e Peat Free Partnership, cronograma da legislação no Reino Unido — peatfreepartnership.org.uk; Convênio holandês de substratos (2022) e resultados de 2025 segundo a LTO — lto.nl; BMEL/BMLEH, estratégia de redução de turfa (Alemanha).
- DNIT, Norma 074/2006-ES, proteção de taludes com biomantas; ABINT, mercado de geossintéticos.
- ComexStat / MDIC, exportações e importações da NCM 5305, 2024–2025.
- Dados de comércio exterior por empresa, maio de 2025 a abril de 2026.
- Alagoas Rural TV, entrevista com o CEO de um produtor de substrato de coco, agosto de 2026; relatos de formuladores e viveiros ao departamento comercial da Carve, 2026.
- Manickam, T. & Suresh, R. (2011), IJEST 3(4), regressão de densidade aparente do pó de coco por umidade e granulometria; EMBRAPA CT-226.
- IBEF, "Coir Industry in India", ano fiscal 2024-25 — ibef.org; Coir Board of India.
- UN Comtrade, importações da posição HS 5305 por país declarante (EUA, Países Baixos, Espanha, Canadá, Alemanha, Austrália, Japão, Coreia do Sul), parceiro Mundo, 2024 e 2025 — comtradeplus.un.org (consulta em 5 de setembro de 2026).
- Blok, C., Verhagen, J. & Wesemael, W. (2021), Acta Horticulturae 1305; Blok, C. et al. (2024), Growing media for food and quality of life in the period 2020–2050, Wageningen UR.
- Euronews, 14 de agosto de 2026, "Maersk returns another Asia–Europe service through Suez, but wider return remains distant" — euronews.com; GoFreight (2026), desvio pelo Cabo (+10–14 dias); SEKO Logistics (2025); Zencargo (2026); FreshPlaza, "Vessel shortages disrupt cocopeat exports from India and Sri Lanka". Tempos de trânsito aproximados.
- APM Terminals Pecém, linhas e tempos de trânsito — apmterminals.com/en/pecem; Governo do Ceará / CIPP, 24 de fevereiro de 2026, resultados do Porto do Pecém em 2025 (706.509 TEU, +27 %) — ceara.gov.br; FUNCEME, quadra chuvosa do Ceará; IMD, monções de sudoeste e nordeste.