Glossário da cadeia do coir: pó de coco, fibra de coco e substratos em português, inglês e espanhol
Quem compra ou analisa pó e fibra de coco no Brasil lê fichas técnicas da Índia e do Sri Lanka escritas em inglês, laudos em português que misturam três métodos de extração e textos técnicos que mantêm termos como pith, bristle ou buffered sem tradução. Não existia uma lista pública que alinhasse esses vocabulários. Esta página reúne 67 termos em três línguas, com uma definição curta e a fonte de onde a definição foi tirada.
1. Matéria-prima e anatomia do fruto
| Português | English | Español | Definição | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| coqueiro (Cocos nucifera L.) | coconut palm (Cocos nucifera) | cocotero, palma de coco | Palmeira de cujo fruto se obtém o coir. Existem dezenas de variedades, com participação distinta da casca no peso do fruto. | Carlile, Raviv & Prasad 2019, p. 314 · Blok et al. 2024, p. 40 |
| coco seco maduro | mature coconut, dry coconut | coco seco (maduro) | Fruto colhido maduro. Cerca de 65% do peso corresponde à noz e ao seu conteúdo (albúmen e água) e 35% à casca fibrosa, composta por fibras e por uma fração de pó agregada a elas. | Rosa et al. 2002, p. 12 |
| coco verde | green coconut, tender coconut | coco verde, coco tierno | Fruto imaturo colhido para consumo da água. A casca representa 80% a 85% do peso bruto e, por suas características, não era beneficiada pela indústria tradicional de fibra. | Rosa et al. 2002, p. 9 · Carrijo, Liz & Makishima 2002, p. 533 |
| casca de coco | coconut husk | cáscara de coco, estopa de coco | Parte fibrosa externa do fruto (exocarpo e mesocarpo), de onde se extraem a fibra e o pó de coco. Da casca do coco maduro saem fibra para cordoalha, tapetes, capachos, isolantes e enchimentos, além do pó. | Rosa et al. 2002, p. 9, 12 |
| mesocarpo | mesocarp | mesocarpio | Camada fibrosa intermediária do fruto. "Coir" é o nome dado ao conjunto de fibras e tecido esponjoso extraído do mesocarpo grosso de Cocos nucifera. | Rosa et al. 2002, p. 9 · Carlile, Raviv & Prasad 2019, p. 314 |
| endocarpo (quenga) | endocarp, shell | endocarpio, concha | Camada dura e lenhosa que envolve o albúmen e a água; não faz parte do coir. Destina-se a carvão ativado, painéis e energia. | Blok et al. 2024, p. 41 |
2. Produtos
| Português | English | Español | Definição | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| coir | coir | coir, bonote | Termo internacional, de origem malaiala, para os materiais derivados do mesocarpo do coco: a fibra e, por extensão, o pó e os chips. Em inglês, "coir" sozinho designa em geral a fibra; o pó é sempre "coir pith" ou "coir dust". | Carlile, Raviv & Prasad 2019, p. 314–316 |
| pó de coco (pó da casca de coco) | coir pith, coir dust, coco peat, cocopeat | polvo de coco, turba de coco | Material fino e esponjoso que resta após a extração das fibras do mesocarpo, com fibras curtas remanescentes. É o principal produto do coir para substratos; depois da separação costuma ser envelhecido por vários meses antes do uso. | Carlile, Raviv & Prasad 2019, p. 314 · Abad et al. 2002 · Rosa et al. 2002, p. 9 |
| pó de coco verde | green-husk coir pith | polvo de coco verde | Material obtido da casca do coco imaturo por corte, desfibramento, secagem, moagem e lavagem, processo desenvolvido pela Embrapa no início dos anos 2000. Pode conter taninos, cloreto de potássio e cloreto de sódio em níveis fitotóxicos antes da lavagem. | Carrijo, Liz & Makishima 2002, p. 533–534 · Rosa et al. 2002, p. 15–16 |
| fibra de coco | coir fibre, coconut fibre | fibra de coco, bonote | Fibras extraídas mecanicamente do mesocarpo do coco maduro; usadas em cordas, tapetes, escovas, enchimentos e como componente de substratos. Em português a expressão também nomeia, por extensão, toda a cadeia do coir (ver Notas de tradução). | Carlile, Raviv & Prasad 2019, p. 314–316 · Rosa et al. 2002, p. 9 |
| fibra curta | mattress fibre, short fibre | fibra corta | Fração de fibras curtas separada no beneficiamento ou remanescente no pó. Na literatura, o "coir dust" é definido como tecido esponjoso do mesocarpo mais fibras curtas; na indústria, a fibra curta vai para enchimentos e misturas. | Abad et al. 2002 · Rosa et al. 2002, p. 9 |
| fibra longa | bristle fibre, long fibre | fibra larga | Fração de fibras mais longas e rígidas obtida no beneficiamento da casca do coco maduro. Para cada quilo de fibra longa produzida estimam-se cerca de 2 kg de pó e fibras curtas. | Rosa et al. 2002, p. 12 |
| fibras penteadas (resíduo de penteamento) | combings | fibra peinada (residuo de peinado) | Fibras curtas e emaranhadas retiradas no penteamento da fibra longa. Termo comum em fichas de exportação asiáticas. | — |
| chips de coco | husk chips, coir chips | chips de coco, trozos de cáscara | Pedaços de 5 a 15 mm cortados da casca inteira, em vez de desfibrada; usados para aumentar a aeração, sobretudo em cultivos de ciclo longo em viveiro. | Carlile, Raviv & Prasad 2019, p. 315 · Blok et al. 2024, p. 40 |
| casca triturada (crush) | crushed husk, coir crush | cáscara triturada | Casca inteira triturada sem separação prévia de fibra e pó; mistura grossa de pó, fibras e fragmentos de casca. Termo comercial, sem definição normativa. | — |
| misto (pó + fibra) | pith–fibre blend, coir mix | mezcla polvo–fibra | Mistura de pó de coco com fibra em proporção definida. A adição de fibra ao pó aumenta o espaço de aeração e reduz a água facilmente disponível, o que permite ajustar a relação ar/água do substrato. | Prasad 1997, p. 21, 26 · Blok et al. 2024, p. 40 |
| bloco prensado (ladrilho, briquete) | compressed block, brick, briquette | bloque prensado, ladrillo, briqueta | Pó de coco comprimido na razão de 5:1 a 8:1 em volume para transporte, em blocos de cerca de 5 kg ou briquetes de cerca de 0,6 kg. No Brasil o produto prensado também é chamado de ladrilho. | Carlile, Raviv & Prasad 2019, p. 314 · Rosa et al. 2002, p. 12–13 |
| fardo | bale | fardo, bala | Fibra ou pó prensados e amarrados em volume padronizado para transporte. Pó de coco asiático é fornecido em blocos ou fardos com razões de compressão relatadas de cerca de 4:1 a 10:1. | Abad et al. 2005 · Rosa et al. 2002, p. 12–13 |
| saco de cultivo (grow bag, slab) | grow bag, slab | saco de cultivo, slab | Bolsa plástica preenchida com substrato de coco prensado, que se expande com a irrigação e recebe as plantas diretamente. Junto com a lã de rocha, os "mats" de coco dominam o cultivo de hortaliças de fruto, rosas e gérbera nos Países Baixos. | Blok et al. 2024, p. 62 |
| disco (pastilha, plug) | coir disc, coin, plug | disco, pastilla, taco | Pequena unidade prensada de pó de coco para semeadura ou enraizamento, que se expande com água. Plugs pré-formados de turfa e coco ainda são, em geral, aglutinados com adesivo sintético. | Blok et al. 2024, p. 64 |
3. Processo
| Português | English | Español | Definição | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| maceração | retting | enriado, maceración | Imersão prolongada da casca em água antes da desfibragem, tradicional na Ásia; amolece o tecido e facilita a separação das fibras. Amostras asiáticas de pó de coco em geral provêm de cascas maceradas. | Abad et al. 2005 |
| via mecânica a seco | dry mechanical decortication | desfibrado mecánico en seco | Separação de fibra e pó da casca por máquinas, sem maceração prévia em água. Amostras da África e das Américas estudadas provinham de cascas não maceradas, processadas mecanicamente. | Abad et al. 2005 |
| desfibradeira (desfibrador) | decorticator, defibering machine | desfibradora | Máquina que rasga e bate a casca para soltar as fibras do tecido esponjoso. Em escala experimental, a Embrapa usou triturador de forragem para o desfibramento da casca verde. | Carrijo, Liz & Makishima 2002, p. 533–534 |
| moagem (trituração) | grinding, milling | molienda, trituración | Redução do tamanho das partículas da casca ou do pó, em geral em moinho de facas e martelos com peneira de saída (3 a 4 mm no processo da Embrapa Hortaliças). O grau de moagem define a granulometria do pó. | Carrijo, Liz & Makishima 2002, p. 534 · Abad et al. 2005 |
| peneira rotativa (trommel) | rotary screen, trommel | criba rotativa, trómel | Cilindro perfurado giratório que separa o pó (passante) da fibra (retida). A malha e a intensidade do peneiramento influenciam a distribuição granulométrica e, por consequência, as propriedades físicas do pó. | Abad et al. 2005 |
| lavagem | washing, rinsing, leaching | lavado, lixiviación | Passagem de água pelo pó para remover sais solúveis (sobretudo potássio, sódio e cloreto) e reduzir a CE. Em um caso relatado, cinco lavagens sucessivas reduziram a CE de 6,5 para 0,14 dS/m, com o pH subindo de 5,9 para 7,8. Não remove os cátions ligados aos sítios de troca. | Carlile, Raviv & Prasad 2019, p. 314, 318 · Blok et al. 2024, p. 40 |
| tamponamento | buffering | tamponado | Termo genérico da indústria: tratamento do pó de coco com solução de cálcio (nitrato ou cloreto de cálcio) que troca o potássio e o sódio ligados aos sítios de troca por cálcio, seguido de prensagem. Difere da lavagem, que só remove sais dissolvidos. | Carlile, Raviv & Prasad 2019, p. 314 · Blok et al. 2024, p. 40, 77 |
| envelhecimento (cura) | ageing, curing | envejecimiento, curado | Repouso do pó em pilhas por meses após a separação da fibra, antes do uso como substrato. Fichas de referência indicam cerca de meio ano de envelhecimento natural para atingir estabilidade biológica. | Carlile, Raviv & Prasad 2019, p. 314 · Blok et al. 2024, anexo 5, p. 132–133 |
| compostagem | composting | compostaje | Decomposição controlada do material, com ou sem adição de nitrogênio, para reduzir a relação C/N e estabilizar o produto. A Embrapa Hortaliças indicou cerca de 90 dias de compostagem quando o pó de coco verde se destina à produção de mudas. | Carrijo, Liz & Makishima 2002, p. 534 · Carrijo et al. 2003, p. 3 |
| secagem | drying | secado | Redução da umidade do material antes da prensagem ou do ensaque. O pó sai da extração com cerca de 85% de umidade, é secado ao ar até cerca de 25% e depois a 10–15%; para prensagem, a umidade deve ficar em até 30%. | Rosa et al. 2002, p. 12–13 |
| prensagem (compactação) | compression, compaction, baling | prensado, compactación | Compressão do pó ou da fibra em prensas hidráulicas para formar blocos, fardos ou pranchas. Em blocos comprimidos, quase 300 m³ de produto final cabem em um contêiner marítimo de 67 m³, uma economia de volume de 4 a 4,5 vezes. | Rosa et al. 2002, p. 12–13 · Blok et al. 2024, p. 40 |
| expansão (reidratação) | expansion, rehydration | expansión, rehidratación | Recuperação de volume do bloco prensado ao receber água. A razão de expansão relatada para o pó de coco é de cerca de 1:12 em peso:volume ou mais. | Carlile, Raviv & Prasad 2019, p. 314 |
4. Propriedades e análises
| Português | English | Español | Definição | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| condutividade elétrica (CE) | electrical conductivity (EC) | conductividad eléctrica (CE) | Medida indireta do teor de sais solúveis de um extrato do substrato, em dS/m (= mS/cm; 1 dS/m = 1.000 µS/cm). O valor depende do método de extração e não é comparável entre métodos diferentes. | Prasad et al. 2020 (EN 13038) · Blok et al. 2024, glossário p. 7 |
| extrato 1:5 (v/v) | 1:5 (v:v) water extract | extracto 1:5 (v/v) | Método em que um volume de substrato é agitado em cinco volumes de água para medir pH e CE. É a base das normas europeias EN 13037 (pH) e EN 13038 (CE) e do método oficial brasileiro de CE em substratos. | Prasad et al. 2020 · IN SDA 17/2007 |
| extrato 1:1,5 (v/v) | 1:1.5 (v/v) extract | extracto 1:1,5 (v/v) | Método neerlandês de extração aquosa em volume, usado em grande parte da literatura clássica sobre coir; base da norma EN 13652 para elementos solúveis em água. Valores de CE 1:1,5 são maiores que os do extrato 1:5 da mesma amostra. | Prasad 1997, p. 22 · Blok et al. 2019, cap. 11, p. 542–547 |
| extrato de saturação | saturated media extract (SME) | extracto de saturación, pasta saturada | Extrato obtido saturando a amostra com água até o ponto de pasta e filtrando; método de origem norte-americana. Em 13 amostras de pó de coco, a CE no extrato de saturação variou de 39 a 597 mS/m. | Abad et al. 2002 |
| pH | pH | pH | Medida da acidez do extrato aquoso do substrato. O pH do pó de coco comercial varia de cerca de 4,8 a 6,9 conforme a origem; quando o coco é o componente principal, a calagem pode ser desnecessária. | Carlile, Raviv & Prasad 2019, p. 317–318 · Prasad et al. 2020 (EN 13037) |
| capacidade de troca de cátions (CTC) | cation exchange capacity (CEC) | capacidad de intercambio catiónico (CIC) | Quantidade de cátions que o material retém em sítios de troca, em cmol(+)/kg ou meq/L. Para o pó de coco, valores relatados de 31,7 a 95,4 cmol/kg, abaixo dos da turfa de esfagno; parte do potássio e do sódio fica retida nesses sítios. | Abad et al. 2002 · Carlile, Raviv & Prasad 2019, p. 318 |
| relação C/N | C:N ratio | relación C/N | Razão entre carbono e nitrogênio totais. No pó de coco é alta: 75 a 186 em 13 amostras de seis países; 103 para fibra de coco em outra compilação. Um valor alto não implica, por si só, forte imobilização de nitrogênio, pois grande parte do carbono está na lignina. | Abad et al. 2002 · Carlile, Raviv & Prasad 2019, tab. 8.4, p. 314 |
| densidade aparente | bulk density | densidad aparente | Massa de substrato por unidade de volume, em kg/m³ ou g/L. Para o pó de coco, cerca de 40 a 89 kg/m³ em base seca, conforme a origem; o valor medido depende fortemente da umidade e do método de acomodação (EN 13040, EN 12580). | Carlile, Raviv & Prasad 2019, tab. 8.5, p. 317 · Blok et al. 2019, cap. 11, p. 515–519 |
| porosidade total | total porosity, total pore space | porosidad total, espacio poroso total | Fração do volume do substrato ocupada por ar e água, em %. Para o pó de coco, valores relatados de 85,8 a 96,3% conforme a origem; método EN 13041. | Carlile, Raviv & Prasad 2019, tab. 8.5, p. 317 · Blok et al. 2019, cap. 11, p. 522–523 |
| espaço de aeração (capacidade de aeração) | air-filled porosity (AFP), air content, air space | capacidad de aireación, porosidad de aire | Fração do volume ocupada por ar após drenagem a −1 kPa (−10 cm de coluna de água). No pó de coco varia muito com a granulometria e a origem: de 9,5 a 66,7%; a adição de fibra ao pó eleva o valor. | Carlile, Raviv & Prasad 2019, tab. 8.5, p. 317 · Prasad 1997, p. 26 |
| água facilmente disponível (AFD) | easily available water (EAW) | agua fácilmente disponible | Volume de água liberado pelo substrato entre as tensões de −1 e −5 kPa, em % do volume, segundo o esquema de De Boodt e Verdonck (1972). Para o pó de coco, valores relatados de 9,5 a 37,8%. | Wallach 2019, cap. 3, p. 80 · Carlile, Raviv & Prasad 2019, tab. 8.5, p. 317 |
| capacidade tampão de água (água de reserva) | water buffering capacity (WBC) | agua de reserva, capacidad tampón de agua | Volume de água liberado entre −5 e −10 kPa, em % do volume. No pó de coco é baixo (0,2 a 7,5% em 13 amostras), inferior ao da turfa, o que exige ajuste do manejo da irrigação. | Abad et al. 2005 · Prasad 1997, p. 24, 26 |
| capacidade de retenção de água (CRA) | water-holding capacity (WHC) | capacidad de retención de agua | Volume de água que o substrato retém por unidade de volume, em mL/L ou %. Em 13 amostras de pó de coco variou de 137 a 786 mL/L. No Brasil é parâmetro de garantia obrigatória para substratos (IN MAPA 5/2016), com método oficial na IN SDA 17/2007. | Abad et al. 2005 · IN MAPA 5/2016 |
| granulometria | particle size distribution | granulometría, distribución de tamaño de partícula | Distribuição das partículas por classes de tamanho, obtida em peneiras (por exemplo 0,125 a 16 mm). É o fator que mais determina as propriedades físicas do pó de coco; a maior parte das partículas fica entre 0,5 e 2 mm. | Abad et al. 2005 · Carlile, Raviv & Prasad 2019, p. 317 |
| umidade | moisture content | humedad | Percentual de água na massa do material. O método oficial brasileiro seca a amostra a 65 °C; as normas EN referem a densidade a 105 °C. Substratos registrados no Brasil declaram umidade máxima. | IN SDA 17/2007 · IN MAPA 5/2016 · Blok et al. 2024, p. 40 |
| sais solúveis (Na, K, Cl) | soluble salts: sodium, potassium, chloride | sales solubles (Na, K, Cl) | Íons que dominam a salinidade do pó de coco bruto: potássio é o cátion predominante (59 a 926 mg/L em fontes comerciais, extrato 1:1,5), com sódio (18 a 276 mg/L) e cloreto (18 a 753 mg/L). Cloreto alto exclui o uso em culturas sensíveis. | Carlile, Raviv & Prasad 2019, tab. 8.7, p. 319 · Prasad 1997, p. 25–26 |
| estabilidade (biológica) | (biological) stability | estabilidad (biológica) | Resistência do material à decomposição microbiana durante o cultivo, avaliada por taxa de consumo de oxigênio (OUR, em mmol O₂/kg de matéria orgânica/h; EN 16087-1 e método RHP: abaixo de 20 estável, acima de 30 imaturo), respiração de CO₂ ou autoaquecimento. O pó de coco perdeu 24% do volume em 18 a 24 meses em ensaios; a estabilidade cresce com o teor de lignina e o envelhecimento. | Prasad 1997, p. 24, 27 · Carlile, Raviv & Prasad 2019, p. 347–348 · Blok et al. 2019, cap. 11, p. 549–554 |
| imobilização de nitrogênio | nitrogen immobilisation, nitrogen drawdown | inmovilización de nitrógeno | Retenção do nitrogênio mineral pela microbiota do substrato, tornando-o indisponível às plantas; medida por incubação (EN 13654; método RHP). No pó de coco varia de desprezível a 50–60 mg N/L em cinco semanas, conforme o lote e a idade do material. | Carlile, Raviv & Prasad 2019, p. 349 · Prasad 1997, p. 24 · Blok et al. 2019, cap. 11, p. 548–549 |
| molhabilidade (reumedecimento) | wettability, rewetting | mojabilidad, rehumectación | Facilidade com que o substrato seco volta a absorver água. Ao contrário da turfa de esfagno, o pó de coco raramente se torna hidrofóbico: 13 amostras reumedeceram em menos de 7 minutos, contra 19 minutos da turfa. | Carlile, Raviv & Prasad 2019, p. 316 · Abad et al. 2005 |
| lignina | lignin | lignina | Polímero estrutural que, no coir, representa de 30 a 50% da massa conforme o autor, ao lado de celulose (26–50%) e hemicelulose (15–35%). Confere resistência à degradação; a degradação é negativamente correlacionada ao teor inicial de lignina. | Carlile, Raviv & Prasad 2019, p. 316, 348 · Prasad & Maher 2004 |
| taninos | tannins | taninos | Compostos fenólicos solúveis presentes na casca, sobretudo na casca verde; em concentração alta são fitotóxicos e inibem o crescimento das pontas das raízes. São reduzidos por lavagem com água. | Rosa et al. 2002, p. 16 · Carrijo, Liz & Makishima 2002, p. 534 |
5. Mercado e normas
| Português | English | Español | Definição | Fonte |
|---|---|---|---|---|
| substrato (para plantas) | growing medium (pl. growing media), substrate | sustrato de cultivo | Material usado no lugar do solo para o cultivo de plantas em recipientes. No Brasil, "substrato para plantas" é produto regulado, com definições, classificação, garantias e rotulagem estabelecidas pela IN MAPA 5/2016. | IN MAPA 5/2016 |
| turfa (de esfagno) | (sphagnum) peat | turba (de esfagno) | Material orgânico acumulado em turfeiras, referência histórica dos substratos na Europa, onde representa de 77 a 80% do volume usado. Não é sinônimo de pó de coco, apesar do nome comercial "coco peat" (ver Notas de tradução). | Prasad et al. 2020 |
| matéria-prima renovável | renewable raw material | materia prima renovable | Matéria-prima cujo estoque se repõe em prazo curto (em geral 50 anos), na definição do acordo neerlandês de 2022 sobre substratos. Coir, casca, fibra de madeira, composto, casca de arroz e biochar são considerados renováveis; turfa, não. | Blok et al. 2024, glossário p. 8 |
| RHP | RHP (Regeling Handelspotgrond) | RHP | Fundação neerlandesa de certificação de substratos e matérias-primas, que publica métodos próprios (reumedecimento, tampão de pH, imobilização de N, TCO) e limiares de estabilidade. Grandes exportadores de coir buscam essa certificação. | Blok et al. 2026, §1 · Blok et al. 2024, p. 21 · Carlile, Raviv & Prasad 2019, p. 315 |
| EN 13037 | EN 13037 — Determination of pH | EN 13037 | Norma europeia para corretivos de solo e substratos: determinação do pH em extrato aquoso 1:5 (v/v). Edição citada: 2002 (BSI, Londres); a versão 2011 é referida em fichas RHP. | Prasad et al. 2020, ref. 45 |
| EN 13038 | EN 13038 — Determination of electrical conductivity | EN 13038 | Norma europeia para determinação da condutividade elétrica de substratos em extrato aquoso 1:5 (v/v). | Prasad et al. 2020, ref. 46 |
| EN 13651 | EN 13651 — Extraction of calcium chloride/DTPA (CAT) | EN 13651 | Norma europeia de extração de nutrientes disponíveis com cloreto de cálcio e DTPA (método CAT); o extrator contém um cátion e, por isso, capta também parte dos elementos ligados aos sítios de troca. Correlaciona-se com a absorção pelas plantas. | Prasad et al. 2020, ref. 44 |
| EN 13040 / EN 13041 / EN 15428 | EN 13040 / EN 13041 / EN 15428 | EN 13040 / EN 13041 / EN 15428 | Normas europeias de caracterização física de substratos: preparo de amostra e densidade aparente (13040), porosidade e retenção de água (13041) e granulometria por peneiramento (15428). | Blok et al. 2019, cap. 11, p. 515–526 |
| IN MAPA 5/2016 | MAPA Normative Instruction 5/2016 (substrates and remineralizers) | IN MAPA 5/2016 | Instrução Normativa do Ministério da Agricultura que define, classifica e fixa especificações, garantias, tolerâncias, registro, embalagem e rotulagem de remineralizadores e substratos para plantas. Os substratos devem garantir CE, pH, umidade máxima, densidade e CRA. | IN MAPA 5/2016 (DOU 14/03/2016) |
| IN SDA 17/2007 | SDA Normative Instruction 17/2007 (official analytical methods) | IN SDA 17/2007 | Instrução Normativa da Secretaria de Defesa Agropecuária com os métodos analíticos oficiais para substratos e condicionadores de solo (alterada pela IN 31/2008): densidade, umidade a 65 °C, CRA, CTC, pH e CE em extrato 1:5. | IN SDA 17/2007 (índice de legislação MAPA) |
| NCM 5305.00.90 | HS/NCM 5305.00.90 | NCM 5305.00.90 | Código da Nomenclatura Comum do Mercosul sob o qual a fibra de coco entra nas estatísticas brasileiras de comércio exterior. Agrupa coco com sisal, abacá e rami e não distingue pó, fibra e chips. | Tabela NCM / Comex Stat (MDIC) — ver Importações: Comex Stat |
| FOB | FOB (free on board) | FOB (franco a bordo) | Condição de venda em que o preço inclui a mercadoria colocada a bordo no porto de embarque; frete e seguro internacionais ficam com o comprador. As estatísticas brasileiras de exportação e importação são publicadas em valor FOB. | — |
| CIF | CIF (cost, insurance and freight) | CIF (costo, seguro y flete) | Condição de venda em que o preço inclui a mercadoria, o seguro e o frete até o porto de destino. Comparações de preço entre fichas FOB e CIF exigem ajuste. | — |
| contêiner 40' HC (high cube) | 40-foot high-cube container (40'HC) | contenedor de 40 pies HC | Contêiner marítimo de 40 pés com altura maior que a padrão, unidade usual de cotação do coir exportado em blocos prensados. A capacidade em blocos depende da razão de compressão e do peso por bloco. | — |
Notas de tradução
"Coco peat" não é turfa
"Coco peat", "cocopeat" e "turfa de coco" são nomes comerciais do pó de coco, criados por analogia com a turfa de esfagno que ele substitui. Turfa (peat, turba) é material acumulado em turfeiras ao longo de séculos; o pó de coco é resíduo do beneficiamento de uma cultura anual. Em espanhol, "turba de coco" é a forma corrente no comércio; em português técnico, prefira "pó de coco" ou "pó da casca de coco", como fazem as publicações da Embrapa.
Pith, dust e peat designam o mesmo material
Em inglês, "coir pith" (medula), "coir dust" (poeira) e "coco peat" nomeiam a mesma fração fina. A literatura científica define "coir dust" como tecido esponjoso do mesocarpo mais fibras curtas (Abad et al. 2002); "pith" é o termo dos livros de referência (Carlile, Raviv & Prasad 2019); "peat" é o termo das fichas de exportação. Nenhum deles indica granulometria ou tratamento específico.
"Fibra de coco" como categoria e como produto
Em português, "fibra de coco" tem dois sentidos. Como categoria, nomeia toda a cadeia do coir, inclusive o pó: o artigo da enciclopédia colaborativa em português e boa parte dos textos brasileiros seguem esse uso. Como produto, nomeia apenas a fração fibrosa, distinta do pó e dos chips. Em inglês a ambiguidade não existe: "coir" ou "coir fibre" é a fibra, e o pó é sempre "coir pith" ou "coir dust". "Fibra longa" e "fibra curta" são frações da fibra, separadas por comprimento no beneficiamento; em fichas asiáticas aparecem como "bristle fibre", "mattress fibre" e "combings", termos que os textos em português costumam manter sem tradução.
"Lavado" e "tamponado" não são sinônimos
A lavagem passa água pelo pó e remove os sais dissolvidos (potássio, sódio, cloreto), reduzindo a CE. O tamponamento, no sentido usado na indústria de substratos, é a troca dos cátions ligados aos sítios de troca por cálcio, com solução de nitrato ou cloreto de cálcio; a lavagem não faz essa troca. A literatura neerlandesa descreve três categorias comerciais: não tratado, lavado e tamponado (Blok et al. 2024, p. 40). Em português, "tamponado" também significa, em química, "com pH estabilizado por um tampão"; em fichas de coir o sentido é o de troca de cátions, não o de pH. Esta página usa o termo apenas nesse sentido genérico.
CE: a unidade e o método mudam o número
dS/m e mS/cm são a mesma unidade; 1 dS/m equivale a 1.000 µS/cm. O que torna valores incomparáveis é o método de extração: 1:5 em volume (normas EN e método oficial brasileiro), 1:1,5 em volume (método neerlandês, comum na literatura clássica) e extrato de saturação (método norte-americano). Uma ficha só é legível quando declara o método ao lado do número.
"Substrato" em português
No varejo brasileiro, "substrato" convive com "terra vegetal", "terra preparada" e "adubo", termos que designam produtos diferentes. A IN MAPA 5/2016 fixa a definição regulatória de "substrato para plantas" e exige a declaração de CE, pH, umidade, densidade e CRA no rótulo. Em inglês, "growing medium" (plural "growing media") é o termo técnico; "substrate" é aceito, mas menos preciso. Em espanhol, "sustrato de cultivo".
Fontes
Registros bibliográficos das obras citadas na coluna "Fonte", na forma em que constam das próprias publicações. Números de página referem-se à edição indicada.
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- WALLACH, R. Physical Characteristics of Soilless Media. In: RAVIV, M.; LIETH, J. H.; BAR-TAL, A. (orgs.). Soilless Culture: Theory and Practice. 2. ed. Academic Press/Elsevier, 2019. cap. 3, p. 33–111.
- BLOK, C.; BAUMGARTEN; BAAS; WEVER; LOHR. Analytical Methods. In: RAVIV, M.; LIETH, J. H.; BAR-TAL, A. (orgs.). Soilless Culture: Theory and Practice. 2. ed. Academic Press/Elsevier, 2019. cap. 11, p. 509–564.
- RAVIV, M.; LIETH, J. H.; BAR-TAL, A. (orgs.). Soilless Culture: Theory and Practice. 2. ed. Academic Press/Elsevier, 2019. 686 p. ISBN 978-0-444-63696-6.
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Método desta página: os termos foram selecionados a partir de fichas técnicas de exportação, laudos brasileiros e da literatura listada acima; cada definição foi redigida a partir da fonte indicada, com valores numéricos apenas quando constam dela. Onde não há fonte nos textos consultados, a definição é de dicionário e a coluna traz um travessão. Correções e termos faltantes: [email protected].
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ABNT: CARVE SUBSTRATOS. Glossário da cadeia do coir: pó de coco, fibra de coco e substratos em português, inglês e espanhol, v1.0. Paraipaba, 9 set. 2026. Disponível em: https://carvebio.com.br/dados/glossario-coir. Acesso em: [data].
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